PROPAGANDA DE MEDICAMENTOS
A indústria de medicamentos tornou-se um dos negócios
mais rentáveis do mundo. Muito dinheiro é investido
pelos grandes laboratórios em pesquisa e na fabricação
de novos medicamentos, mas a maior parte desse
dinheiro vai para a publicidade, em campanhas globais.
Na tentativa de alterar o padrão de consumo de
produtos farmacêuticos, as indústrias lançam mão de
diversas formas de propaganda, tanto dirigidas ao público
leigo quanto aos profissionais de saúde. Atingem desde
o médico e o farmacêutico até o dono de farmácia,
o balconista e o paciente, conseguindo influenciar na
prescrição, na venda e no consumo de medicamentos.
Em tese, a propaganda deveria servir como um elemento
de contribuição na tomada de decisões conscientes em
relação à utilização de medicamentos, algo que não tem
sido verificado pela Anvisa.
Muitas peças publicitárias superestimam as qualidades dos
produtos, às vezes duvidosas, e omitem seus aspectos nega-
tivos e perigosos, transmitindo, muitas vezes, a falsa idéia de
que o medicamento anunciado é seguro, sem contra-indica-
ções e/ou sem efeitos colaterais. Enaltecem, exclusivamente,
os benefícios dos medicamentos e os colocam em uma
posição central na terapêutica, sem apresentar argumentos
com base em dados científicos considerados válidos.
Com isso, acabam induzindo ao uso inadequado de medica-
mentos, à automedicação e, em determinados casos, geram
danos financeiros pela aquisição de um produto ineficaz ou
inadequado, o que pode intensificar gastos do Estado frente
ao agravamento de patologias ou pela ocorrência de rea-
ções adversas.
De forma geral, as propagandas de medicamentos não
alertam os consumidores para o fato de que nenhum medi-
camento é isento de riscos e que, por isso, deve ser consu-
mido com responsabilidade, mesmo os de venda isenta de
prescrição médica.
1...,22,23,24,25,26,27,28,29,30,31 33,34